Postado em Uncategorized em março 12, 2010 por Kouzkko
Foi com certa ansiedade que cheguei ao primeiro dia de Oficinas de Vídeo Poesia. Conheço bem poesia concreta mas não sabia quem seriam os participantes. Dei de cara com uma turma extremamente eclética: dois jovens, dois idosos, uma criança, 3 adultos. Logo no ínicio percebi que os resultados seriam muito melhor que os esperados. Mais do quem lindos Vídeo eles criaram Time Lines exuberantes, coloridas, verdadeiras poesias visuais.
Postado em Uncategorized em março 11, 2010 por Kouzkko
Quando estive em Porto Alegre dando o curso EAD de produção de vídeo muitas coisas fizeram que essa se tornasse uma experiência totalmente enriquecedora, como por exemplo, ter em uma mesma turma alunos do Brasil inteiro. A produção e sistematização de todo um material tendo ainda que descorrer sobre 4 eixos temáticos foi um desafio que me fez refletir sobre muitas questões que vieram a somar no resultado final do curso. Tudo isso teria se perdido se não fosse a proposta da Silia Moan de transformar esse material em um livro. Foi um trabalho arduo o realizado por ela e ficou realmente muito bom! Vale a pena conferir tanto o conteúdo quanto o trabalho de editoração.
Apesar dos softwares já estarem defasados, ainda assim vale muito conferir!
Quando estive em Porto Alegre dando o curso EAD de produção de vídeo muitas coisas fizeram que essa se tornasse uma experiência totalmente enriquecedora, como por exemplo, ter em uma mesma turma alunos do Brasil inteiro. A produção e sistematização de todo um material tendo ainda que descorrer sobre 4 eixos temáticos foi um desafio que me fez refletir sobre muitas questões que vieram a somar no resultado final do curso. Tudo isso teria se perdido se não fosse a proposta da Silia Moan de transformar esse material em um livro. Foi um trabalho arduo o realizado por ela e ficou realmente muito bom! Vale a pena conferir tanto o conteúdo quanto o trabalho de editoração.
-Veja, Super Sangue-Suga, eu acho que talvez nós devêssemos virar vilões.
-Como assim, Barata Voadora? O que você está dizendo?
-O problema, Super Sangue Suga, é que as pessoas nos temem. E com razão.
-Como você pode dizer isso, Barata Voadora? Nós fazemos o bem.
-Sim, claro, com certeza. Nós realmente fazemos o bem. Nós ajudamos as pessoas quando elas estão em perigo. Mas nós devíamos nos tornar vilões.
-Baiata, eu não estou te reconhecendo.
-Por favor, Sangue Suga. Toda vez que nós ajudamos alguém a pessoa pensa que nós vamos atacá-la.
-Nós não devemos deixar o fato, Barata Voadora, nós não devemos deixar o fato de que as pessoas nos odeiam e nos temem mudar o fato de que elas precisam de nós.
-Mas, Sangue, nós espalhamos doenças. Nós fazemos mal a eles, Sangue.
-Não mais, Baiata! Nossas roupas impedem que nós façamos mal a elas.
-Sangue Suga, eu gosto de você. De verdade. Mas nossas roupas não impedem que nós façamos mal a eles. Eu e você não fazemos mal a eles por causa das roupas, mas as baratas e sangue sugas fazem, Super. Eles não querem saber das nossas roupas e se nós fazemos o bem, pra eles as baratas e sangue sugas fazem mal.
-Mas e daí? É verdade. As baratas e os sangue sugas fazem mal aos homens. Só que nós somos apenas dois dos diversos males que as pessoas têm de enfrentar, sem contar elas mesmas. É por isso que nós optamos por ajudá-los quando ganhamos nossos super poderes: porque eles precisam de ajuda.
-Sangue, eu não penso mais assim. Eu não acho mais normal o fato de que eles nos atacam.
-Foi você mesmo que falou. Eles nos temem por isso nos atacam. Nós levamos doenças para eles, então eles nos atacam.
-Eu não acho mais que eles devessem nos atacar.
-E mesmo assim, Baiata. Eles nunca vão conseguir nos exterminar.
-Sim, Sangue Sunga, mais pra mim isso não justifica mais eles nos exterminarem em massa. Desculpa, mas você não é uma barata. Cada uma que morre faz falta. Nós só entramos nas casas quando elas estão sujas.
-Vocês são os animais que mais evoluem nesse planeta. Vocês estão ficando cada vez mais fortes.
-Não só mais forte, Sangue. Eu sou um exemplo disso, isso que eu estou dizendo é um exemplo disso. Você é um exemplo disso.
-Nós somos exemplos diferentes, Voadora.
-Mas mesmo vocês, Sangue. Qual o problema na forma com que você se alimenta. Os seus são perseguidos, cara.
-Desculpa, Baiata. Eu não consigo pensar desse jeito.
-Puxa, Super. Então eu acho que é aqui que a gente se separa.
-Você vai defender as baratas, Voadora?
-Vou. Sabe, eu andei refletindo sobre o seguinte, que tudo pensa, cara. As pessoas nos ofendem o tempo inteiro. Dói ser pisado. E os cupins? É apocalipse atrás de apocalipse. A gente precisa se defender das pessoas.
-Nossa, vamos seguir caminhos diferentes mesmo. Puxa. Mas, nós não precisamos nos tornar inimigos.
-Não, de jeito nenhum. Isso nunca. A gente só vai encarar algumas coisas por ângulos diferentes agora. É só isso.
-E no fundo, pensando agora, nem são tão diferentes assim.
Ontem li o edital para Pontos de Cultura do Estado de São Paulo. Como todo edital é cheio de meandros e especificações que você deve seguir para fazer tudo direitinho e conseguir o “prêmio” para o seu projeto.
Me chamou muito a atenção um detalhe “Das definições” que eu colo aqui na integra:
3.1. Para os efeitos deste edital entende-se que:
a) Ponto de Cultura é a denominação geral que as instituições com projetos selecionados a partir deste Edital receberão. O Ponto de Cultura deverá funcionar como um instrumento de pulsão e articulação de ações e projetos já existentes nas comunidades do Estado, desenvolvendo ações continuadas em pelo menos uma das áreas de Culturas Populares, Grupos Étnico-Culturais, Patrimônio Material, Audiovisual e Radiodifusão, Culturas Digitais, Gestão e Formação Cultural, Pensamento e Memória, Expressões Artísticas, e/ou Ações Transversais. Os Pontos de Cultura são elos entre a Sociedade e o Estado que possibilitam o desenvolvimento de ações culturais sustentadas pelos princípios da autonomia, protagonismo e empoderamento social, integrando uma gestão compartilhada e transformadora da instituição selecionada com a Rede de Pontos de Cultura.
A primeira vez que ouvi falar em “empoderamento” foi seguido de uma crítica muito simples: Isso não existe! Foi lá pelo ano de 2005 e na sequência essa palavra parecia sempre estar ligada a algum tipo de movimento social. A escutei várias vezes em uma palestra da Adolescência do MST no mesmo ano de 2005, por exemplo.
Na época, e algum tempo depois também, as discussões na internet a respeito do “empoderamento” iam no mesmo sentido da crítica ácida ao aportuguesamento de empowerment, ou coisa que o valha.
Quando comecei a trabalhar com os Pontos de Cultura as duas expressões que mais ouvia eram: empoderamento e mudança de paradigma. E isso de forma muito séria. Mas o fato de ambas as coisas serem muito complexas (hahahaha) e ao mesmo tempo impalpáveis e até mesmo duvidosas dependendo da situação em que era usada, acabava por ser quase uma lenda cultural.
No meu papél de oficineiro de vídeo com software livre para os pontos de cultura, eu tinha, e sempre tive, que levar em consideração o empoderamento, já que isso é um desejo sincero do pessoal dos Pontos de Cultura, nas oficinas que dava e dou.
Mas apesar de poder garantir que muitas pessoas realmente aprenderam a editar vídeo com software livre comigo, não podia afirmar que já tivesse alguma vez feito algo que pudesse dizer que fosse empoderar alguém. Se é que isso realmente existia.
Na última oficina que dei em Porto Alegre, dias antes de voltar para São Paulo, era a terceira oficina de uma série de 4 oficinas para a mesma turma que havia começado um curso de produção multimídia já a dois meses, e eu era o responsável apenas pela parte da edição, o pessoal empoderou.
Quando fui apresentado a turma que faria a oficina, me disseram: “eles não falam, nunca. Você tem que mandar pra eles falarem!” Quando a pessoa que disse isso saiu da sala avisei pra todo mundo que falava quem queria. E eles realmente não falavam.
No terceiro dia de oficina, nos dois anteriores todos os tipos de problemas que sempre ocorrem ocorreram, iniciei um exercício muito simples com eles: com dois clips no timeline e uma transição unindo os dois, perguntei para cada um o que eles achavam que podia melhorar naquele “filme”. Houve uma primeira rodada de perguntas, alguns falaram, outros não. O ponto foi que tudo o que aqueles que disseram para ser feito no “filme” eu executei no software. Assistimos ao vídeo com as mudanças. Perguntei novamente e todos deram opinião, com excessão de uma única menina. Novamente executei as mudanças no “vídeo”, porém eles já estavam muito mais exigentes e cada pequena mudança só era aprovada pela turma depois de feita e assistida diversas vezes. Eu já não precisava perguntar. Todos diziam, de forma muito tranquila, mas empolgada, o que deveria ser feito para melhorar aquele “filme”. Eles escolheram trilha sonora, uma imagem para começar o filme, o nome do filme. E eles mesmos já pediam para voltar e assitir de novo, até que se deram por satisfeitos e disseram “fizemos um filme” e pediram para passar mais uma vez o filme inteiro. Então, depois de assitirem, novamente ao “Filme”, que recebeu o nome de Olho Mágico, de forma espontânea, se aplaudiram durante pelo menos uns 2 minutos. Em seguida, convidaram todos que estavam no Ponto de Cultura para assistir o vídeo. Aqueles que o assitiram não demonstraram grande empolgação e sairam da sala, mas o pessoal que tinha feito o vídeo começou a bater palmas de novo para eles mesmo, e neste dia foram embora rindo e falando sobre o filme que fizeram.
No último dia de oficina, eles deveriam editar um outro vídeo e fazer um novo filme. Eu fiz o seguinte, filme uma entrevista com cada um pedindo para que eles contassem porque haviam batido palmas no final da oficina. Infelizmente por causa da péssima qualidade da câmera e das condições o áudio do vídeo ficou muito prejudicado, mas ainda assim dá pra escutar as entrevistas.
Segue o vídeo realizado por eles:
A estratégia que usei foi bem simples. Entrevistei um por um, isoladamente, e pedia para que aquele que tinha acabado de fazer dar a entrevista escolhesse o próximo. Depois que todos já tinham dado a entrevista pedi para que todos entrassem e avisei que iriamos assistir a todas as entrevistas. Em um primeiro momento todos ficaram absolutamente constrangidos com isso e na primeira vez que assitiram suas próprias entrevistas se encolhiam e fechavam os olhos. Na terceira vez já se viam e falavam de si mesmos com a maior naturalidade. Expliquei pra eles que eles teriam que descobrir uma linha narrativa de forma que as entrevistas criassem uma continuidade entre si. Eles selecionaram os trechos e a ordem das entrevitas de forma bastante organizada, bastante empolgados e com muita seriedade.
Para editar eles usaram o KDEnlive, posso garantir que utilizar esse software foi crucial para tudo o que aconteceu. Por ser extremamente fácil, mas também estável houve pouquíssima frustação em todo o processo. Cada um editou um trecho de uma entrevista que não era necessariamente a própria e novamente ficaram muito satisfeitos com o resultado.
Acho muito legal perceber que a estratégia de registrar uma experiência de empoderamento teve da minha parte a intenção de observar, registrar, documentar esse processo para compreendê-lo melhor.
Uma coisa que na minha opinião fica claro através do vídeo é que apropriação da ferramenta e empoderamento são duas coisas independentes. É absolutamente possível você empoderar sem compreender ou se apropriar daquilo que está sendo transmitido. E, quando empoderado, você leva isso literalmente para a sua vida. É uma transformação no seu eu, é uma ruptura com um continuo que pode ser apenas de derrota ou frustação. Empoderamento tem relação com realização. Por isso, é possível pensar momentos de transmissão de conhecimento, tipo oficinas, para o empoderamento e não necessáriamente para a apropriação de alguma ferramenta. Na realidade, uma pessoa empoderada provavelmente vai se apropriar de qualquer ferramenta com muito mais facilidade. Por isso, pensar um momento voltado para o empoderamento tendo a ferramenta como meio será muito mais proveitoso do que pensar simplesmete em estratégias para a apropriação da ferramenta tendo o empoderamento como uma possibilidade.
Por fim, o “filme Olho Mágico” provavelmente se perdeu ou dificilmente virá a público. E isso nunca incomodou o pessoal que fez a oficina. Tê-lo feito foi o mais importante para eles, e eles fizeram o filme para eles próprios.
Palmas para eles.
Para os efeitos deste Edital entende-se que:
Ponto de Cultura é a denominação geral que as instituições com projetos selecionados a partir deste Edital receberão. O Ponto de Cultura deverá funcionar como um instrumento de pulsão e articulação de ações e projetos já existentes nas comunidades do Estado, desenvolvendo ações continuadas em pelo menos uma das áreas de Culturas Populares, Grupos Étnico-Culturais, Patrimônio Material, Audiovisual e Radiodifusão, Culturas Digitais, Gestão e Formação Cultural, Pensamento e Memória, Expressões Artísticas, e/ou Ações Transversais. Os Pontos de Cultura são elos entre a Sociedade e o Estado que possibilitam o desenvolvimento de ações culturais sustentadas pelos princípios da autonomia, protagonismo e empoderamento social, integrando uma gestão compartilhada e transformadora da instituição selecionada com a Rede de Pontos de Cultura;
Certos assuntos devido ao espírito da época devem ser tratados com certo cuidado para não se voltarem contra você. Mas devido ao mesmo espírito da época, as chances de que não se virem contra nós é muito remota.
Certa vez, em uma palestra que aconteceu em Recife, por volta de 2007, ouvi certa pessoa, que não vou citar para não ligar certos nomes que respeito a certas idéias, disse que as redes são coisas antigas, que existiam há muito tempo, que por exemplo, os quilombos funcionavam em redes.
Esta idéia ficou na minha cabeça, mas não só na minha. Tanto que pouco depois em um evento do Cultura e Pensamento a antropófaga Helena Buarque fez uma palestra tratando exatamente desse assunto. Não vi a palestra dela, tive que consertar o telhado da minha casa. O telhado ficava mais ou menos à altura de um edificio de três andares, e com a ajuda do Galego Cara-Torta e do Irmão Josias consegui impedir que minha sala inundasse novamente por causa de calhas entupidas.
Quais outras redes antes dessa da qual agora fazemos parte existiram? Quais suas características? Quais relações guardam com essa atual?
Podemos fazer uma leitura dizendo que um quilombo era exatamente um espaço no qual se primava pela liberdade, de escravos que por seus próprios esforços e bravura tornaram-se libertos, um lugar de homens e cultura livre.
Mas existe uma outra forma de ver os quilombos. Um lugar de homens que usurparam a propriedade privada que eles mesmos representavam, que lesavam e traziam prejuízo para todo um sistema economico e sendo assim lutavam contra a ordem vigente e automaticamente eram contra o Estado.
Em um texto intitulado Response to the Tactical Media Manifesto: A Network of Castles, do Peter Lamborn Wilson (A.K.A. Hakim Bey) ele nos fala de uma outra rede, formada por diversos castelos que abrigava os Assassins, um pessoal que só queria ficar tranquilo, mas que para conseguir tal tranquilidade vez por outra tinham que assassinar alguém (ou coisa assim).
E então chegamos a mais algumas redes, por exemplo, a Máfia. Al Capone tinha uma das redes mais poderosas do século XX. Incluia todo tipo de gente. Basicamente o que faziam era comércio. Vendiam produtos proibidos, bebidas alcoólicas no caso. E, é claro, lesavam o Estado. Isso pra citar uma máfia hollywoodiana. A Camorra, a Yakuza, a Cosa Nostra, o Cartél de Medellin, todas agiam e agem ainda no formato de rede. E todas, no fundo, faziam ou fazem a mesma coisa, comércio de produtos proíbidos.
É claro, não nos esqueçamos das redes de espionagem! Grandes comerciantes de? Informação. Normalmente trabalhavam para algum governo, inclusive era resultado deles como as outras redes mostradas aqui, mas não eram exatamente confiáveis. Outra coisa muito interessante sobre espionagem é que, apesar de já ter visto exemplos relacionados até com a caça de mamutes na pré-história, o termo colaboração foi cunhado na Europa, mais exatamente na França, como crime de guerra, relacionado, digamos assim, a espionagem.
O fato é que as redes citadas aqui tem uma diferença crucial das de agora: a invisibilidade. Todas as organizações e grupos que se utilizam do recurso da rede os fazem porque as conexões dessas redes eram invisíveis. Nossas redes são montadas em cima de famas, indentificações e reconhecimento.
Ainda assim alguns congressistas poderiam usar como argumento que querem nos tornar mais visíveis ainda, para nos distinguir entre criminosos muito periculosos, criminosos pouco periculosos e apenas criminosos.
Mas eles se esquecem de Mauro Marcelo Lima e Silva. Mauro Marcelo foi responsável pelo setor de crimes da Internet da Policia Cívil e é ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). É um policial, por isso pensa como tal, mas também é um dos maiores especialistas de crimes na internet no Brasil. O ponto é que no longínquo ano de 2000 e poucos, Mauro Marcelo já dizia que não existia anonimato na internet, que é mais fácil resolver crimes virtuais do que no mundo real e que o grande problema para enfrentar esses crimes era a falta de preparo da policia e a falta de cooperação internacional por diversos motivos.
Isso me parece mostrar que é um pouco ilusório que distribuir e baixar conteúdo seja algo que essas leis venham realmente impedir, que nós termos privacidade ou coisa do tipo na internet, ou que alguém que queira realmente nos achar por qualquer motivo que seja, tipo nos prender porque baixamos musicas do Metallica, não consiga.
Todas essas leis e projetos de leis que estão aparecendo pelo Brasil, e pelo mundo, só reforçam um jeito imbecil de fazer politica, na qual a responsabilidade do governo é tranferida para a sociedade. Ao invés de investir na máquina disse-se que nós temos que fazer isso ou aquilo para garantir a segurança geral.
Enquanto isso, algumas redes continuam funcinando a mil por hora, tipo as redes de corrupção.
PS.: Mauro Marcelo foi o cara que chamou o pessoal do congresso de Bando de Besta-Fera.
PS2.: Quem falar “antropófaga” com a boca cheia de farofa vai virar objeto de estudo
Depois de quase meio ano sem conseguir me dedicar o mínimo a colocar minhas idéias e etc aqui no blog, finalmente resolvi voltar.
Tenho feito e estudado uma diversidade de coisas que poderei postar aqui. Comecei a reescrever minhas aulas, inclusive já terminei a primeira, que além de tratar sobre identidade e cultura passou a ser “quase um manifesto” sobre o que eu penso sobre Cultura Livre. A segunda aula, além de tratar de economia solidária e cooperativismo, assuntos que já tratava, terá uma trará uma leitura de o que eu penso ser uma nova forma de produção, centrada nas redes e seus produtos como base. A terceira tratará das dinamicas internas das redes e assim por diante.
Além disso venho estudando algoritmos, twitbots, prefuse, entre outras coisas.
Neste exato momento estou usando um software chamado View Your Mind. Há algum tempo coloquei no meu status do gtalk que queria arrumar um problema bem sério para resolver. E não é que arrumei. De tão sério e complexo tive que primeiro usar um software que cria “mapas mentais” para colocar as idéias no lugar e só depois realmente escrever sobre e chegar a uma possével solução do problema. O VYM é um software extremamente fácil de usar e aconselho aqueles que usam software livre instalá-lo e usá-lo. Ele é realmente útil.
Tenho usado o twitter. Me agrada muito. Talvez por ter uma tendência ao voyerismo. Sinceramente, pra mim o twitter é uma forma de diversão. Tem gente que leva bem a sério. Através do twitter eu realmente me informo de algumas coisas interessantes, é verdade. Mas ao meu ver é no fundo diversão. Comentei há pouco tempo com algumas pessoas que no fundo estes sites ou plataformas de redes sociais sao todos joguinhos. Com o decorrer do tempo posto com mais calma sobre isso.
No que se refere a vídeo e afins, que inclusive é o fim deste blog HOJE eu descobri como assitir a diversas câmeras de segurança via net. O que me deu idéia para a produção de um novo vídeo Proposital, explico o que é depois
Tenho que realmente continuar com minha organização mental no View Your Mind. Usar o software é fácil. Organizar as idéias, nem tanto.
E pra terminar, a frase que me fez voltar a postar:
“A frase mais deliciosa de se ouvir na ciência, aquela que anuncia descobertas, não é Eureka, mas… Que engraçado” Isaac Asimov
Segunda-feira, dia 8 de dezembro, dei inicio ao meu projeto de instituir um núcleo de produção em vídeo com software livre. A intenção é mudar o formato das oficinas que vinha aplicando e, ao invés disso, convidar pessoas que já haviam feito oficina comigo para participarem ativamente, não como “oficinandos” em um trabalho que precisava realizar. A idéia é envolver i máximo de pessoas em situações reais de produção de vídeo, neste caso a cobertura de uma feira de economia solidária. Nas próximas semanas pretendo manter este grupo para estarem em um ambiente preparado para funcionar como um estúdio de produção de vídeo e produzirmos diversos materiais.
Alguns pré-requisitos para o núcleo funcionar:
o grupo que está participando diretamente do núcleo deve receber uma ajuda de custo para participar;
o núcleo tem suas portas abertas, qualquer um pode acompanhar o que o núcleo estiver produzindo, produzir sus próprios trabalhos, para quem sabe, futuramente fazer parte do núcleo, isto é, o núcleo deve ser um lugar de troca de conhecimento;
o núcleo deve experimentar tanto na linguagem do vídeo, quanto nos equipamentos, softwares e possibilidades de utilização de câmera e outras soluções que considerarmos interessantes de investirmos;
transmitir via stream todo momento que o núcleo estiver reunido para atingir outros lugares e incentivar a troca e a experimentação via internet;
o núcleo deve ser multi-linguagem, contando sempre com pessoas que além de desenvolver trabalhos com vídeo também tenham uma outra vertente que some ao núcleo, como por exemplo, trabalho com áudio, gráfico, desenvolvimento, rede, MetaReciclagem;
o núcleo deve sempre incentivar a profissionalização da produção multimídia e audiovisual com software livre.
Este é só o primeiro esboço tanto escrito quanto prático desta idéia, que Sília Moan e eu estamos idealizando há algum tempo. Estes dias estou totalmente tomado pelas atividades que estamos desenvolvendo na feira. Dentro em breve falo mais sobre isso, digo quais estam sendo os resultados desta primeira atividade e subo alguns vídeos que produzirmos.
Em 2007, quando morava em Recife, fui convidado para editar o Programa de TV, produzido pelo Ponto de Cultura CUCA, Cultura no Ponto. O diretor do Programa me pediu para que usássemos uma linguagem mais híbrida, misturando a forma televisiva com as características da vídeo arte, como tentativa de romper com a imagem comum aos programas de televisão. Essa experiência também seria necessária por causa do material que devia ser editado: a filmagem do show de lançamento do programa feita com uma única câmera. A problemática da filmagem de eventos desse tipo com uma única câmera é bastante problemática quando quem está filmando assume uma única posição, um único ângulo e depois não se preocupa em capturar mais material para ser posteriormente editado, como por exemplo imagens do público, imagens dos integrantes do grupo em outras situações. Zooms e closes dos integrantes do grupo durante a apresentação de outras músicas no mesmo show no tipo de edição que foi proposta, o de apresentar uma música inteira de cada grupo, não funciona bem, fica bastante falso. Foi o que aconteceu no caso do Cultura no Ponto. Trabalhei em cima da prerrogativa proposta pelo Eduardo e todo o trabalho executado passou pela aprovaçao dele antes de ir ao ar. Editei apenas o primeiro bloco devido a questões pessoais relevantes aos assuntos dos outros blocos, que foram editados pelo próprio Eduardo.
No final das contas, essa experiência foi muito bem vista pelos musicos e grupos que se apresentaram no evento, porém não foi bem vista pela equipe de produção do programa e acabou por causar uma ruptura no grupo. Eu fui embora de Recife pouco depois e acabei por não saber qual foi a continuidade do programa.
Fiz também na época duas vinhetas para o Cultura no Ponto. O áudio das vinhetas foram produzidos a partir de trechos da voz do Itamar Assumpção (poder não podia, mas…) e da vinheta original do programa. Todo o material foi exibido na TV Universitária de Pernambuco, se não me engano em Dezembro de 2007.
Na minha primeira experiência no Ensino A Distância eu inicio minha primeira aula com a frase: Olá, eu me chamo Geraldo Magela, mas gosto que me chamem de Gera. Levo esse apelido a pelo menos 15 anos, tenho atualmente 31 anos e, atualmente, moro em Porto Alegre. Sou uma pessoa inconformada, não do tipo que extravasa sua inconformação com tudo o tempo todo para todos os lados. Sou paciente e sistemático, do tipo que pode guardar o inconformismo em relação a algo durante muito tempo e aos poucos, quando encontra os meios que considera necessário para agir, começa a colocar em prática seu plano arquitetado durante anos.
Trabalho com vídeo. Sou editor de vídeo. Sei editar em praticamente todos os programas que há no mercado, mas por opção e por oportunidade e por paixão me dedico ao software livre. Anteriormente fiz a escolha de me enveredar pelo caminho das ciências sociais, as quais hoje tenho desprezo, não enquanto conhecimento mas como profissão. Rio dos sociólogos míopes e catatônicos, entrego os antropólogos canibais e menosprezo os cientistas políticos. Não posso desmentir o fato de que em grande parte fui condicionado a pensar como eles. Não resisto a padrões de todos os tipos, qualquer coisa que se repita mais de três vezes já me trás a verve de continuar observando como fenômeno. Posso passar horas observando qualquer coisa. Há alguns anos, em uma praia não me lembro de onde, passava as tardes com minha filha ainda muito pequena olhando a vida coletiva dos caranguejos, um espetáculo social que demorava pelo menos 15 minutos depois do último movimento humano perceptível para começar, e a quantidade de personagens ali presente era inimaginável.
Minhas opções tanto de trabalho quanto de estudo acabaram culminando e somando para me auxiliar a compreender umas das questões que mais inconformado me deixam: a questão da TV no Brasil. Pretendo discutir bastante sobre ela, questões técnicas, teóricas, de acesso e principalmente formas de como podemos nos apossar de sua linguagem e de seu espaço. Penso que assim como o software livre nos possibilitou combater um monopólio, o mesmo software livre poderá nos ajudar a combater outro: o que hoje domina a TV Brasileira. Também pretendo escrever bastante sobre vídeo e cinema, que são mídias e artes e assuntos correlatos. Divulgar e facilitar a compreensão sobre os softwares livres de edição de imagens e outras funções também serão assuntos aqui.
Porém, por último gostaria de reforçar a idéia principal deste blog: a internet é um ótimo meio de divulgação e exibição da produção audiovisual, mas isso não deve servir de argumento para deixarmos a tv para aqueles que dominam a tv. Vamos criar soluções e viabilizar que as produções novas e com poucos recursos possam ser exibidas na tv também. Vamos dominar a forma e subverter o conteúdo da TV. Não abandonemos a TV. Criemos monstros em série. E televisionar a revolução.